sexta-feira, 9 de julho de 2010

EM CARNE VIVA


Eu sou uma vastidão de sentimentos,
Eu sou alguém de fios desencapados.
Nos meus sentires tão exacerbados,
Eu vivo e morro em cada vão momento.
Aquilo que aos demais passa batido,
A mim é como lâmina ou punhal.
É êxtase, é júbilo sentido,
É forte e intenso feito vendaval.
Quem sabe numa próxima existência,
Me caiba o privilégio da inocência,
E o prêmio de uma vida linear.
Mas nesta eu me sinto em carne viva,
Exposta qual se fora uma mendiga,
Buscando eternamente o próprio lar.

Fátima Irene Pinto.
Em carne viva. O que isso lembra? Lembra dor. Escrevo sobre mim, e isso dói.
Eu me sinto nu, exposto, sem pele nem proteção, sujeitado ao frio glacial da rejeição que sempre temi.
Mas sei que a dor nos faz crescer. Por isso, estou enfrentando a mim mesmo, que tenta me impedir de sair porta à fora para o mundo. Sem forças, me conformo em apenas olhar pela janela, e imaginar como seria viver do lado de lá. Cá pra nós, aprendi muita coisa olhando as pessoas indo para lá e para cá. Mas, em meus momentos de solidão, aprendi sobre mim mesmo.

É fácil falar dos outros.
É fácil falar de outra coisa, que não é você.

Ora, se é tão doloroso falar sobre mim, por que o faço?
Ora, se não posso sair pela porta, então pulo a janela!

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